TETINE

Wednesday, 3 August 2016

Tetine - O Bandido (raw footage - soundcheck of Tetine & Helena Ignez - Sao Paulo, 2011

Tetine - O Bandido live / raw unedited footage from a soundcheck w/ Tetine & Helena Ignez - Sao Paulo, 2011


rehearsal - unedited footage of Eliete Mejorado, Bruno Verner and Helena Ignez performing 'O Bandido' for the first time in Sao Paulo 2011 -  at the theatre of Sesc Vila Mariana.






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Monday, 31 August 2015

O BANDIDO

Here's a piece of tropical crude thinking we did on the occasion of the performance Tetine Vs O Bandido da Luz Vermelha back in 2011. 

"O Bandido" is a song we wrote in the summer of 2011. It came up as an inter-semiotic free  rework of the narrative & dialogues of Rogerio Sganzerla's film 'O Bandido Da Luz Vermelha' (1968) which Tetine re-scored live in its entirety back in 2011 at Sesc Vila Mariana in Sao Paulo. O Bandido first ever live perfomance counted with cinema marginal's musa Helena Ignez who shared the stage with us and sang it with Eliete. It's worth saying that we also wrote O Bandido as love declaration to Helena.

Watch here Tetine performing another incarnation of 'O Bandido' - as part of the programme of ON_OFF at Itau Cultural where we exhibited for the first time our film-performance 'The 4th World / An Animal With The Demand To Make Choices'. Below is documentation of an excerpt from the 4th World performed at the auditorium of Itau Cultural.




O Bandido (Bruno Verner / Eliete Mejorado) - track from the album 'In Loveland With You' (Slum Dunk 2013)

Bruno Verner - programming, bass, vocals
Eliete Mejorado - vocals


O Bandido 

1

Decretado hoje o Estado de Sítio no país
Um faroeste sobre o terceiro mundo
Da favela do Tatuapé pro mundo
O peixe morre pela boca, o peixe sempre morre pela boca
Cinco minutos de leite de coco… muito leite de coco
Não sou canhoto e não gosto da minha profissão
Eu, o bandido mascarado
Que não respeita a mulher nem a propriedade de ninguém
Meu fraco é mortadela
2

Ninguém sabe realmente a nacionalidade
E muito menos a identidade desse jovem criminoso
Subdesenvolvido? Brasileiro? Cubano? Mexicano? Favelado? Português?
Quem tiver de sapato não sobra
O motorista poderá sobreviver, mas caolho
A Amazônia também é Brasil
E o petróleo? é nosso!
O petróleo é nosso
3
Tentei me matar com tinta óleo mas nao deu pé
Agora vou ficar com a tua mulher
E nem um pio
Nem um pio
Sai de lá faz 15 anos
Da favela do Tatuapé pro mundo
Eu tinha que avacalhar
Um cara assim só podia avacalhar
Eles me chamam de pistoleiro mas eu não sou ladrão
Eu não sou ladrão
4
O terceiro mundo vai explodir e quem tiver de sapato não sobra
Minha mãe tentou me abortar pra eu não morrer de fome
É preciso pecar em dobro
E quem tiver de sapato não sobra
É que a Amazônia também é Brasil
Sozinho a gente não vale nada
Sozinho ninguém vale nada!

5

E essa é a verdadeira história de um homem que bebia uma
garrafa de whisky estrangeiro por dia.
Inventor do macete para ganhar no bicho
E inventor do método do violão mágico por correspondência
A Terceira Guerra já começou e ninguém tá dando bola
5 minutos de leite de coco… muito leite de coco
Quando a gente não pode fazer nada a gente avacalha
Um cara assim só podia avacalhar
6
Que miséria meu filho? Que miséria?
Um país sem miséria é um país sem folclore
E um país sem folclore é um país sem turistas
A união faz a força e você faz o que minha filha?
Curto circuito na favela do Tatuapé
O motorista poderá sobreviver, mas caolho
Agora vou ficar com a tua mulher e nem um pio
Nem um pio
7

É preciso pecar em dobro
É preciso pecar em dobro
O terceiro mundo vai explodir e quem tiver de sapato não sobra
Traz whisky pra todo mundo que o rei da boca paga
Viva a pobreza! Viva a pobreza!
Meu verdadeiro sonho era formar os Estados Unidos da América
Sozinho a gente não vale nada
8
O negócio é ser grosso
Taco fogo e me mando pra Acapulco, México
Vigia tem que morrer
Quem ganha 80 contos pra guardar 80 milhões tem que morrer
O terceiro mundo vai explodir
E quem tiver de sapato não sobra
Deus?
Deus não existe
É preciso pecar em dobro
É preciso pecar em dobro
9

É preciso pecar em dobro
Que miséria meu filho? Que miséria?
Curto circuito na favela do Tatuapé
Um país sem miséria é um país sem folclore
E um país sem folclore é um país sem turistas
A união faz a força
Traz whisky pra todo mundo
Sozinho a gente não vale nada
Sozinho ninguém vale nada

E dai?


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Tuesday, 4 June 2013

Interview for Brazilian paper O GLOBO (complete)
















O GLOBO  - Vcs anunciaram que o novo album é decidado ao filme "O bandido da luz vermelha", de Rogerio Sganzerla, inclusive incluindo nele a música "O bandido". Qual a ligação? Sei que vcs já fizeram uma performance, tocando enquanto o filme era exibido.

Pra gente existe uma conexão esquisita, quase mística entre o que o Sganzerla e a Helena Ignez fizeram em relação a produção de cinema deles e o que a gente faz com música. São muitas coisas em comum nas trajetórias e isso ficou muito visível pra gente depois que conhecemos a Helena pessoalmente. Foi um prazer imenso e uma coisa muito importante pro Tetine quando ela participou ativamente na nossa performance no Sesc Vila Mariana. A musica 'O Bandido' foi escrita especialmente pra ela como uma declaração de amor mesmo.  Descobrimos ali muita coisa em comum, o jeito de trabalhar, o modo de lidar com a industria e com o mercado no Brasil, a história de não fazer concessões quando se está criando algo autoral, o lado da performance e do improviso que também eram bem presentes nos filmes, as produções independentes e por ai vai. Sentimos uma identificação imediata com a história toda. Por isso dedicamos o disco ao filme.
Apesar do 'In Loveland With You' não ser diretamente um disco sobre o filme, da pra dizer que foi muito influenciado, principalmente porque muitas das canções do álbum nasceram depois que fizemos esse projeto. 
Estamos em tempos completamente diferentes, mas estamos falando de questões similares só que usando um outro suporte, no caso o som.


O GLOBO - Como o novo disco se relaciona com os seus trabalhos anteriores. É mais uma ruptura do que uma continuação, não? Afinal, ele tem momentos mais introspectivos do que dançantes

Sim, nesse sentido ele é bem menos luminoso que os nossos últimos discos.  Sonoramente eu acho ele mais apocalíptico, um pouco mais pessimista que muitos dos trabalhos anteriores, mesmo nos momentos mais dançantes. As canções são mais complexas, as melodias são mais tensas, as estruturas menos obvias e tem muito texto o tempo todo. O disco foi concebido como uma coisa só, as faixas se interligam, contam uma história. Funciona um pouco como o nosso 'cinema'. 
''In Loveland With You' é um disco melancólico, mais experimental mesmo.   Se você ouve ele de cabo a rabo funciona como uma espécie de audio movie. 


O GLOBO - Como foi o processo de criação desse disco? Ele demorou mais tempo do que o normal (para vocês) para ser criado?

Foi bem doméstico,  o disco foi todo gravado em casa no nosso estudio ao longo de 2 anos. Começamos em 2010 e acabamos no final de de 2012. 
Foi um disco que foi amadurecendo a medida que gravávamos e não teve pressa nenhuma pra finalizar. Ele reflete bem os nossos dois últimos anos.


O GLOBO - Há algum tipo de conceito envolvendo as letras desse disco? Elas parecem mais sombrias do que o normal.

Existe um espaço psíquico como conceito que chamamos de 4* mundo. Esse é o mote por trás do disco todo. Pra gente esse conceito funciona como uma espécie de metáfora para falar de um 'estado', de lugares não-específicos, de aquecimento global, de tecnologia, de guerras políticas e biológicas, de industria. Estamos falando de uma sensação constante de falência emocional e espiritual que me parece uma coisa global no mundo pós-capitalista. Algo que pode estar no Brasil, na Inglaterra, no Líbano ou em qualquer outro endereço. De uma prisão psíquica e corporal como cantamos em faixas como 'Burning Land', 'Loveland', Shake e Dream Like A Baby.  Acho que as músicas falam sobre esses 'disfarces' que afetam o espaço que vc ocupa no mundo de agora, como uma maquiagem sempre pronta, como um "anti-inflamatório" constante. 


O GLOBO - Como surgiu a parceria com Arnaldo Baptista, na faixa "To burn"?

'To Burn' foi composta por mim e pela Eliete com a letra do Arnaldo e os vocais dele em contraponto aos nossos. A parceria surgiu a partir de um disco que estavam fazendo sobre a faixa 'To Burn Or Not Burn' do Arnaldo. Dai criamos o To Burn. Nos convidaram para participar mas o disco acabou não saindo. Depois que gravamos achamos que a sonoridade tinha tudo a ver com o 'In Loveland With You' que estavamos começando a fazer na época e dai decidimos inclui-la no álbum. 


O GLOBO - Algumas faixas, como "Burning land", "Tuva", "Joy N2" e "Shake" tem um aspecto cinematográfico, são quase visuais. De alguma forma o cinema (além de Sganzerla) foi uma influência nesse trabalho?

Cinema é uma comida muito importante pro Tetine desde que começamos. Essas faixas são mais fílmicas, mais atmosféricas e com um outro tipo de densidade sonora. 
As faixas do disco de um modo geral são bem experimentais tb nas suas estruturas, mesmo as canções. Filmes como "The Trial" do Orson Wells, "O Bandido" do Sganzerla, "A Woman Under Influence" do Cassavettes foram muito importantes e acho que muitas imagens ficaram grudadas na memória e isso tb acabou influenciando o processo de criação do disco.


O GLOBO - O disco tem participações também de Alex Antunes e Ricardo Domeneck. Como foram essas gravações? Á distancia mesmo ou vcs estiveram juntos?

A distância. O Alex mandou pra gente a letra de Eu To em Chamas e a primeira ideia era fazer uma dobradinha entre ele e a Eliete. Os vocais da Eliete ficaram guardados ate que resolvemos criar uma música nova para ela. Ai nasceu "Eu To Em Chamas" que tem letra do Alex. Gostamos muito do resultado e resolvemos coloca-la no disco.

O Ricardo é um grande poeta, parceiro e amigo de muitos anos aqui na Europa. Fizemos várias coisas juntos e ele lançou pela pequeno selo dele Kute Bash o nosso vinil do LICK MY FAVELA em 2006.  Fizemos "Mula" em colaboração. A música nasceu da ideia de fazermos algo juntos em cima da palavra e do conceito de MULA e foi amor a primeira vista quando rolou. Estávamos numa sintonia muito parecida e falando de coisas similares, de deslocamento, de imigração,  de 'cascos não retornáveis". De um lugar fora do lugar. 


 O GLOBO  - Vcs já estão radicados em Londres há mais de dez anos. Qual é a sua relação com a cidade nesse momento (estabelecidos? querendo voltar ao BR?) e de que forma ela influencia o que vcs fazem?

Sim há mais de 13 anos. O leste de Londres é a nossa casa desde 2000. Nossa vida gira em torno do mesmo bairro que moramos desde o começo. Aqui conhecemos todo mundo do sapateiro, do fruteiro, dos caixas de supermercado aos outros artistas que moram na área e o povo da noite e tal. Foi aqui que passamos mais da metade da história do Tetine. Nosso processo criativo é muito influenciado pela cidade, muito influenciado pelo bairro. Foi aqui que fizemos a maioria dos vídeos do Tetine. É aqui que nossa filha vai na escola e nosso trabalho é um reflexo disso tb. Aprendemos a amar muito tudo isso. O senso de humor, as autocríticas, o anonimato. É daqui que saem a maioria das nossas observações. É uma vida simples, sem carro. Vamos na lavanderia, nos cafés, isso tudo acaba virando música de alguma forma. Tem um elemento de domesticidade muito forte no dia a dia que reflete o que estamos fazendo como artistas.

Ja o Brasil  é um caso de amor antigo, funciona como um namorado mas não sei se o Tetine existiria ainda se estivéssemos morando no Brasil. Sempre existiu um deslocamento grande com relação a nossa música, às performances que fazíamos, e também com o jeito independente de trabalhar. Era difícil um espaço pra existir dignamente. As pessoas não sabiam onde nos encaixar. Se era da cena de música, do video, das galerias de arte, etc. No 'In Loveland With You' falamos muito sobre isso tb entre outras coisas.

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Thursday, 13 October 2011

TETINE + HELENA IGNES = O BANDIDO DA LUZ VERMELHA

Tetine + Helena Ignes = O Bandido Da Luz Vermelha, live at Teatro Sesc Vila Mariana.

We're pleased to announce Tetine + Helena Ignes will be performing a new soundtrack live for for the legendary Brazilian cinema marginal film O BANDIDO DA LUZ VERMELHA by Rogerio Sganzerla at Teatro Sesc Vila Mariana on Oct 25th, 9 pm in Sao Paulo, Brazil.

This will be a one-off piece for piano, samplers, synths, modified voices, drum machines and eletronics - expect 1:40 minutes of high experimentation including music from our last albums plus special guest appearance of actress & cinema marginal musa Helena Ignes performing selected narratives and texts of the film.
Unmissable!






Rua Pelotas, 141, Vila Mariana
São Paulo, Brazil

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